Nota de agradecimento aos homens

Para você, quem quer que você seja:
Criatura viril, que cheira bem mesmo quando não cheira bem, que acorda
devagar demais, escabelado e com o olhar de alguém com apenas sete
anos ou setenta e cinco; você que consegue consertar a minha porta da
frente, minha pia, que consegue abrir a maioria dos vidros de
conserva; que perde a abotoadura e se vira com um alfinete de
segurança, você que jurou eliminar desafortunados intrusos e dragões
com sua chave de fenda Philips, ou com a sua Montblanc; para você,
porque olha para as mulheres que tem o lustro saudável dos anos, ou os
quilos a mais, e assobia para elas com sinceridade; porque você acha
que qualquer tapete vai ficar bom; você que caminha pela rua um pouco
mais alto do que eu, um pouco mais consciente, mas ainda assim com um
propósito; para você que codifica, conjuga, marca gols, põe minhocas
no anzol, monta armários e sanduíches perfeitos; você que dá gorjetas
de dez reais para o garoto que vende balas e espera três horas na
esteira de bagagem com a sua camisa de flanela; você, sim, você que
tira a minha ordem, o meu pulso, aguenta minhas besteiras; você que me
ensaboa no chuveiro, afunda comigo na banheira; para você, crianção,
cavalheiro, soldado, professor ou homem das cavernas; o homem
caprichoso com suas iniciais nas toalhas e sal nos seus chocolates,
para você e para o cara do balcão de descontos; obrigado pela tour na
vinícola, pela estação de bombeiros, pela cabine de som, obrigado pelo
caleidoscópio, pela nebulosa Cabeça de Cavalo, as pinturas, as
verdades; para você que me carrega pelo estacionamento, pela
escadaria, para o pronto-socorro, para a cama dobrável ou para a
esteira de palha; para você que muitas vezes só aparece para confundir
e atormentar, e você que está sempre em órbita, sempre, à minha
esquerda e firme, você que me apóia, eu nunca esquecerei; para você,
aquele que não entende e nunca entenderá, e para você que perdeu o
controle remoto, o cachorro e o rumo ao mesmo tempo; para você, o
mago, que cantou baixinho no meu ouvido e me trouxe de volta à vida,
você que me diz coisas, que me faz tremer, para aqueles que me
destruíram, mesmo que por um minuto, e aqueles que me fizeram crescer,
me consumiram, devolveram meu coração dez vezes; para aqueles que
podem chamar a si mesmos de homens. Como eu os amo, com sua habilidade
para acender o fogo que me aquece. E que me ilumina.

Mari-Louise Parker

julho 24, 2009 at 8:20 pm 1 comentário

Que venha essa nova mulher de dentro de mim

Embalada pelo não se reprima way of live resolvi postar aqui a foto mais não me reprimo de toda a minha existência. O ano é 2006, a praia é Ibiraquera (SC) e a referência é a sofrida Tonha, personagem de Yoná Magalhães em Tieta – que vive um dos momentos ímpares de libertação na televisão brasileira.


Gabriella Barreto

junho 23, 2009 at 5:42 pm 2 comentários

Dia de Noiva

Máxima chegou ao salão bem na hora marcada. A recepcionista, ao
conferir no relógio, ficou surpresa com tanta pontualidade.
Encaminhou-a para a sauna. Ninguém estava por perto quando ela tirou a
roupa e conferiu a silhueta no espelho. Tinha emagrecido. Os motivos
não eram os melhores, mas tinha dado uma enxugada.

Depois de 30 minutos, um bipe avisou que era hora da ducha e lá foi
ela. Cheirosa, colocou um roupão felpudo que tinha na parte de trás um
bordado dourado com o nome do salão. Quando notou aquele horror, virou
o roupão do avesso e foi para a sala da massagista. Tânia tinha o
rosto plácido que as boas e discretas massagistas têm. Seus diálogos
se resumiram a – dói? – não, está bem. A esteticista entrou logo
depois para esfoliação e hidratação da pele. Para não atrapalhar o
relaxamento de Máxima, não disse uma palavra.

Máxima estava feliz por não precisar ter que conversar com o pessoal
do salão. Ela não estava apta a responder perguntas. Mas na limpeza de
pele ela teria que ficar cara a cara com outra pessoa. E não deu
outra. – Está feliz? Perguntou, assim na lata, a esteticista enquanto
tirava os cravos de Máxima. A resposta calou mais perguntas – Sabe que
estou? Sem entender muito, ela seguiu lambuzando a pele da cliente.
Já a manicure não ficou quieta de primeira. Queria saber mais da vida
de Máxima. – Não, minha família não mora aqui, disse a moça. – Mas
eles não vêm pra cá? – Vêm, vêm, quase sempre. Mas será que vêm hoje,
pensava Tininha, podóloga certificada, sem expressar sua dúvida. Tinha
alguma coisa esquisita com aquela noiva e todo salão começava a se
preocupar.

A bicha-diva que iria fazer seu cabelo veio com aquele papo básico –
Seu cabelo é lindo! Não acredito que você não pinta! E ficou por aí.
Estava na cara de Máxima que ela não estava para conversa e já se
falava por lá que a moça estava estranha. Fofocavam que ela deveria
estar se casando obrigada ou por causa de herança. Talvez o noivo
fosse algum ricaço que ofereceu a ela presentes caso ela se casasse.
Falaram até que ela podia ter sido comprada por algum mafioso ou estar
em risco de vida.

A maquiadora se limitou a deixá-la linda, concentrada nos traços que
dava. Pronta, ela foi até a recepção passar o cartão de crédito que
pagaria todo aquele mimo. A recepcionista, conhecida pela ousadia com
as clientes do salão, queria resolver a pulga que estava atrás da
orelha de todo o staff do Lúcia Arantes Beauty and Coiffure. – Pronta
para o casamento, querida? Máxima assinou o recibo do cartão, sorriu
com aquela boca emoldurada por batom Dior e disse: – Não estou indo
casar, estou indo ser solteira.

Caroline Andreis

junho 23, 2009 at 12:46 pm Deixe um comentário

No clima de Não se reprima: comercial da Batavo e um video com a música cantada pela Tatiana Parra

junho 22, 2009 at 7:01 pm 1 comentário

Saindo do armário

Parece piada, mas já fiz regime de engorde. Seguia um rígido cardápio de muitas calorias pra tentar tirar aquela forma de tábua que me fazia parecer um gurizinho.
Em algum momento relâmpago o corpo deu uma pequena transformada. Virei uma adolescente com pouco peito, nada de cintura, e nenhuma satisfação.
Não tive nem tempo de entender que aquele seria o meu corpo e que teria que me acostumar com isso, quando 12 quilos chegaram sem aviso prévio. Do dia pra noite, o gurizinho virou uma gordinha, que continuava odiando o que via no espelho. E de gordinha a mulher ioiô, foi um passo.
Deve ter sido nessa época, que acumulei em uma pasta centenas de dietas. E destas centenas, fiz dezenas. E fazendo elas, emagreci. E engordei. Dezenas de vezes, por mais ou menos uma dezena de anos.
Os anos passaram, o metabolismo mudou, ganhei uma gastrite, e uma úlcera, tomei alguns pés na bunda, mudei hábitos, comecei a correr, parei de me pesar. E a soma disso tudo fez com que eu estacionasse finalmente o ponteiro da balança. Nesse mesmo momento, cansei. Cansei de ser eternamente insatisfeita e decidi gostar daquilo que via no espelho.
Odeio ter peito pequeno, detesto ter nariz grande, conheço cada furo de celulite desta bunda, definitivamente nunca vou ter a barriga dos meus sonhos muito menos curvas de violão.
Mas mesmo assim corro de biquíni na praia pra buscar a bolinha de frescobol, sem canga. E saio da cama com a luz do dia batendo em mim, sem roupa. E ando por aí com um sorriso no rosto, sem vergonha.
Hoje sequer sei quanto peso, e isso é um peso a menos pra mim.
DSC07025

Kelen G. Tomazelli

junho 22, 2009 at 1:21 pm 5 comentários

Black Rebel Motorcycle Club – Não se Reprima Moment

Dani Ferreira no centro e quem advinha quem são as 2 garotas?

OgAAAFxp4MxEkOVZHpTpmQHCjYy0g3UvfY6J4__IaC0QygnyoBJoKtPHtw4eSb5KqWM-IOmB9sXgVHLFuUH-G5MjDJAAm1T1UCO04ThbI4-ihJbUKkfnPRZkCibU

junho 22, 2009 at 12:39 am Deixe um comentário

Tem gente aí que estava lá, nesse dia Não se reprima!

Pêndulo na Ponte do Passo do Inferno em Canela RS. Aventura roots!

Taíse Kodama

Taíse Kodama

junho 22, 2009 at 12:12 am 3 comentários

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