Nota de agradecimento aos homens

julho 24, 2009 at 8:20 pm 1 comentário

Para você, quem quer que você seja:
Criatura viril, que cheira bem mesmo quando não cheira bem, que acorda
devagar demais, escabelado e com o olhar de alguém com apenas sete
anos ou setenta e cinco; você que consegue consertar a minha porta da
frente, minha pia, que consegue abrir a maioria dos vidros de
conserva; que perde a abotoadura e se vira com um alfinete de
segurança, você que jurou eliminar desafortunados intrusos e dragões
com sua chave de fenda Philips, ou com a sua Montblanc; para você,
porque olha para as mulheres que tem o lustro saudável dos anos, ou os
quilos a mais, e assobia para elas com sinceridade; porque você acha
que qualquer tapete vai ficar bom; você que caminha pela rua um pouco
mais alto do que eu, um pouco mais consciente, mas ainda assim com um
propósito; para você que codifica, conjuga, marca gols, põe minhocas
no anzol, monta armários e sanduíches perfeitos; você que dá gorjetas
de dez reais para o garoto que vende balas e espera três horas na
esteira de bagagem com a sua camisa de flanela; você, sim, você que
tira a minha ordem, o meu pulso, aguenta minhas besteiras; você que me
ensaboa no chuveiro, afunda comigo na banheira; para você, crianção,
cavalheiro, soldado, professor ou homem das cavernas; o homem
caprichoso com suas iniciais nas toalhas e sal nos seus chocolates,
para você e para o cara do balcão de descontos; obrigado pela tour na
vinícola, pela estação de bombeiros, pela cabine de som, obrigado pelo
caleidoscópio, pela nebulosa Cabeça de Cavalo, as pinturas, as
verdades; para você que me carrega pelo estacionamento, pela
escadaria, para o pronto-socorro, para a cama dobrável ou para a
esteira de palha; para você que muitas vezes só aparece para confundir
e atormentar, e você que está sempre em órbita, sempre, à minha
esquerda e firme, você que me apóia, eu nunca esquecerei; para você,
aquele que não entende e nunca entenderá, e para você que perdeu o
controle remoto, o cachorro e o rumo ao mesmo tempo; para você, o
mago, que cantou baixinho no meu ouvido e me trouxe de volta à vida,
você que me diz coisas, que me faz tremer, para aqueles que me
destruíram, mesmo que por um minuto, e aqueles que me fizeram crescer,
me consumiram, devolveram meu coração dez vezes; para aqueles que
podem chamar a si mesmos de homens. Como eu os amo, com sua habilidade
para acender o fogo que me aquece. E que me ilumina.

Mari-Louise Parker

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Que venha essa nova mulher de dentro de mim

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