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Eu te amo, me disse hoje o espelho.

Um dia desses uma amiga me contou que, depois de uma semana de cão no trabalho, chegou em casa e foi direto mergulhar seu corpo cansado na água morna da banheira. Olhos borrados, cabelos escondidos dentro de uma vergonhosa touca de plástico, pés inchados, unhas com esmalte descascado. Pelo menos foi assim que imaginei a cena, do jeito que ela contou. A mulher mais feia do mundo. Palavras dela. Então o marido entra no banheiro e docemente pergunta se pode ficar ali, quietinho, sentado no chão. Só olhando, admirando a mulher mais linda do mundo. Palavras dele.

Eu não acreditaria se não já não tivesse passado por situação parecida. O quadro da dor ali na parede e alguém olhando com cara de bobo como se eu fosse uma obra de arte. É, eu realmente não acreditaria se já não tivesse passado por situação parecida. Mais de uma vez. Várias vezes. Minhas monstruosas olheiras já foram charme aos olhos de alguém. “Bonita até os poros” foi o que ouvi quando reclamei dos efeitos do tempo sobre a minha pele. E as minhas canelas finas? Que canelas finas, tuas pernas são lindas. Não, lindas elas seriam se eu tirasse a gordura desses pneus aqui do ladinho e injetasse lá, nas canelas finas. Tá louca? Antes louca do que gorda de canela fina. Louco sou eu, por você, ele disse. E nessa hora calou minha boca com um beijo como se eu fosse a Angelina Jolie, dona dos lábios que todas nós gostaríamos de ter. Porque, para ele, minha boca era exatamente isso, perfeita. A boca que ele gostaria de ter, bem perto da dele.

Na falta de um beijo deveríamos ser caladas por nossa consciência, por nosso amor próprio ou pelo nosso espelho. Amordaçadas, toda vez que começássemos a tagarelar sem parar, nos criticando, sempre procurando (e, incrível, achando) imperfeições que, na sua maioria, só nós vemos. Imperfeições que se olharmos bem, são apenas pequenos pedaços de nós que, junto com outros pedaços formam um todo perfeito. Formam a pessoa única que cada uma de nós é.

Perdão a quem disse que o amor é cego. Não é coisa nenhuma. Ele enxerga tudo. Enxerga melhor que todos. Sem distorção de imagem. O amor é bom, não é cruel. Só o amor faz tudo ficar mais bonito, faz a celulite desaparecer, faz a gordura derreter, faz a canela engrossar. Só o amor faz a canga cair, o biquíni diminuir, a bunda endurecer, faz a pele brilhar. E faz a felicidade existir. Aos olhos de quem ama, tudo é lindo.

O tempo passa. Está mais do que na hora. Não de se gostar, isso é fácil. Mas de se amar, de se apaixonar, de não poder mais viver sem você mesma. Chega de deixar de fazer, de perder oportunidades, de se render para complexos. Sem essa de apagar a luz do quarto e acender velas. Experimente caminhar lentamente na borda da piscina e entrar devagar na água. Mergulhe rápido, mas de cabeça na vida. Se esconda, mas de um homem que não te interessa. Sinta a tal da vergonha, mas por ser muito sem-vergonha. Quer perder peso, comece tirando de você o peso da culpa. Deixando sua consciência mais leve. Chega de não isso, não aquilo. Use saia! E saia! Saia de dia, saia de noite, saia de si. E entre no maravilhoso mundo das mulheres apaixonadas pelo que são, e não pelo que gostariam de ser.

Dani Ferreira

junho 17, 2009 at 1:49 am 6 comentários


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